
Enquanto isso aquela gatinha chamada “mia” que a Ellen trouxe,


Alex as vezes leva o Koda pra sua casa nos finais de semana,mas, dentro do apto com Jonny e Bordy um poodle que a Izana tem, vira uma bagunça.

Cansados das suas fugas trancamos o portão da imobiliária com chave, evitaria as escapadas. Dia desses Koda se pos na janela

Estranhamos a ausência dele. Olhamos da sacada. Eis que surge com todo seu charme a pequena SRD chamando pelo ruivinho que totalmente enamorado não mediu esforços.

Desesperado ele se arriscou na grade estreita. Entalou.
Esforçou-se tanto e como por encanto seus ossos viraram borrachas.
Mais um pouco, com certeza nem sentiu a dor, tamanha paixão.

Ela valia a pena.Definitivamente ele não resistia aquela cadelinha. Lembrei-me das paixões instintivas que nós humanos também vivemos.
Não medimos distância, não vemos feiúra, apenas o desejo ardente de estar com aquela pessoa o máximo de tempo.Koda definitivamente estava de quatro por ela.

Ganhavam a rua sem se preocuparem com perigo, queriam brincar, beijar...Aquelas mordidelas de amor e lambidas que só os apaixonados sabem o que é.

Todos os dias o trancávamos e ela aparecia no portão como num passe de mágica. Essa história se repetiatodos os dias.O romance ganhava lá suas proporções gigantescas.Ele também entalava diariamente,o mesmo movimento,o mesmo entusiasmo. Saiam para passear e era bonito olhar as brincadeiras.No final da tarde a dona da SRD chegava e a trancava pra dentro também. Ele vinha pra casa morto de sede e cansado demais. Tomava muita água no balde, sacodia, mergulhava a cabeça como que a esfriar a saudades que ela deixava em seu coração.

Deitava um pouco no chão frio para se refrescar e dormia. Sua pata pulava involuntariamente e às vezes chorava, podia jurar que ele estava sonhando com ela.
Koda foi ficando conhecido na vizinhança, as vezes ia a feira lá embaixo na praça, muita gente o via perdido e o trazia de volta com meio metro de língua pra fora.
Ele já conhecia todo mundo que passava na rua, mexiam com ele, o danado abanava o rabo.Fazia festa e sempre ganhava um afago,depois ficava girando e latindo pra que abrissem o portão e ele pudesse ir junto. Poderia ser político se fosse gente. Um carisma!

Viemos, a saber, que a namoradinha estava com a pata quebrada. Foi atropelada também. Lembramos do atropelamento do Koda e ficamos com pena dela.
Nas escapadas dele já sabíamos que ele ia visitá-la, afinal namoros, casamentos, são na alegria e na tristeza também. Ele na sua maneira moleque de ser, era um gentleman.

Koda foi ficando mais terrível e levado, mais fujão do que nunca, corria por tudo como se buscasse alguma coisa. Ficava imundo. O Alex tinha que dar banho de mangueira lá fora mesmo.Revoltado! Ficamos sabendo que a cachorrinha sarou e a levaram embora para um sítio. Estava explicado então. Às vezes as coisas não tem o final que desejamos e com ele não foi diferente, muito cedo teve que sentir a ausência, o vazio que a namorada deixou. Seu bem querer.
O Alex arrumou uma imensa rede de ferro bem forte e ela foi colocada em toda extensão do portão. Ele late, pula, vem ali dentro nos chamar pra abrir o portão. Tudo em vão. Estamos firmes. Arrasado ele se deita e chora, no final da tarde colocam a guia nele pra passear e ele logo corre lá pra onde ela morava, mas, quando vê aquele vazio continua seu passeio como se não entendesse porque ela se foi.


Fica aqui registrada uma história de amor animal. Koda fará um ano este mes. Já escrevi para o Dr Pet pra ver se conseguimos fazer com que nos obedeça.
O nosso ruivinho não tem um "pingo" de educação,mas, é só o que falta pra ele; porque amor... Ele tem de sobra e sabe como ninguém demonstrar. Quando chegamos pela manhã na imobiliária ele faz uma festa tão grande que só conseguimos pará-lo se tivermos um ossinho nas mãos.Caso contrário...Seu amor é tão grande que nos leva ao chão!
Elaine Barnes
28/12/09